CHUPETA – HÁBITO OU SEGURANÇA?

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A causa de muitas discussões entre os familiares dos pequenos são os assuntos
relacionados ao uso da chupeta, do dedo e da “naninha”, aquele paninho ou brinquedo que as crianças carregam de lá para cá. Denominados objetos transicionais, eles
conferem às crianças suporte emocional, especialmente nos momentos de separação ou solidão. Alguns profissionais apontam esses objetos como uma das saídas para acalmar as crianças, outros são radicalmente contra.

A orientação mais difundida às famílias que optam pelo uso da chupeta é oferecê-la com muito critério. Não há mãe que não se pergunte se está cometendo um pecado mortal ao deixar o filho agarrado à chupeta todas as vezes que chora ou está com sono. Chupeta tem o seu lado bom porque satisfaz necessidades de sucção e afetivas da criança, mas também pode se tornar trágica se o pequeno se apegar a ela a ponto de não querer abandoná-la quando estiver maior. Sendo assim, o ideal é ter bom senso. Recomenda-se que a chupeta não seja disponibilizada o tempo todo.

A chupeta pode ser oferecida para acalmar a criança. Depois que o pequeno estiver
tranquilo, ela pode ser retirada. Lembre-se de que o uso da chupeta se torna inadequado quando serve para calar o choro e/ou para evitar o contato da mãe (adulto de referência) com a criança. No entanto, se a chupeta for utilizada para gerar conforto e segurança e de maneira moderada, seu uso pode ser recomendado.

Vai oferecer a chupeta? 4 Dicas para ser criteriosa:

  1. Avalie se o bebê precisa da chupeta, antes de usá-la;
  2. Opte pelas chupetas ortodônticas e indicadas para cada faixa etária;
  3. Higienize as chupetas com frequência e também os recipientes utilizados para
    guardá-las;
  4. Troque a chupeta com regularidade.

É importante ficar atento à demanda da criança, sem oferecê-la a menos que o pequeno solicite, em momentos de sono ou de tensão emocional, exatamente para atender às necessidades de consolo, aconchego e acalento.

Já a naninha, geralmente, está associada à rotina de dormir. A criança se liga a esses
objetos como forma de conseguir suportar a ausência materna. É como se aquele
paninho ou brinquedo representasse uma parte da mãe que fica com a criança quando a mesma está longe. A naninha entra em cena para ajudar o bebê a se sentir seguro e a lidar com a descoberta do mundo que o cerca. Mas, assim como algumas crianças sentem necessidade de usar o objeto, outras não precisam e não há nada de errado nisso.

Você até pode oferecer um certo objeto como paninho ou travesseiro enquanto ele pega no sono. Mas nada garante que ele o aceitará. E não adianta insistir. A escolha é
individual, feita pelo bebê, e pode surpreender os pais. Até um cheiro ou um som –
como a música que você canta para ele adormecer pode se tornar o objeto de
transição. Nesses casos, talvez você nem perceba qual é o item escolhido.

A naninha é saudável, pois diminui a ansiedade do bebê nos momentos de separação da mãe, além de marcar uma fase importante do desenvolvimento psíquico. Através da interação com o meio e com o objeto de transição, o bebê passa a desenvolver
criatividade, imaginação, cognição e afetividade.

E quando é uma parte do corpo?

Não há problema nenhum se for cabelo, orelha, cotovelo ou qualquer parte do corpo da própria criança ou de terceiros. Porém, quando a necessidade do “objeto” for o dedo, é preciso cuidado.

Antes de condenar o hábito de chupar o dedo, é preciso esclarecer que todo bebê tem necessidade de sugar. Esse é um reflexo natural, que começa ainda no útero e
proporciona os primeiros contatos com o mundo. Além de permitir que o bebê se
alimente, a sucção cumpre várias funções importantes para o desenvolvimento: ela
acalma, dá segurança, fortalece os músculos da face e, em consequência disso,
influencia a posição da arcada dentária. A melhor forma de garantir que a criança supra corretamente essa necessidade é por meio da amamentação.

O impulso é normal do nascimento até aproximadamente os 2 anos, de acordo com as características individuais e o desenvolvimento social da criança. À medida que
amadurece, o prazer da sucção é substituído pela descoberta do mundo por meio dos outros sentidos, pela fala e pelo contato com outras crianças.

Não há idade ideal para abandonar o objeto de transição. Geralmente, o objeto é
gradativamente trocado por outros interesses. Dos 3 aos 5 anos, a criança já tem
condições de deixá-lo, cada uma no seu tempo, que é emocional e não cronológico. O
importante, é os pais não prejulgarem o filho. Mas, como tudo na vida, o hábito requer atenção quando é exagerado. Se após os 5 anos ou o período de adaptação na escola, a criança se recusa a ficar longe do paninho, ou ainda se o uso do objeto prejudica o convívio social dela, vale procurar orientação médica ou psicológica para tentar identificar o motivo do apego.

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